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O
Transtorno do Pânico é comum, pode ser
claramente definido, diagnosticado e tratado
ONDE QUER
QUE ESTEJAMOS, EM TODO MOMENTO TEMOS A
OPORTUNIDADE PARA TRABALHAR PELO BEM COLETIVO.
(Sérgio Valle)
"Isso é algo que não
desejo nem para meu pior inimigo" (Expressão
muito usada por quem passou pelas crises)
Existem
pessoas, não importa de que classe social, vagam
pelos consultórios e clínicas do mundo inteiro
sem que ninguém seja capaz de lhes dizer qual a
verdadeira origem de seus males. A pessoa passa
por uma série interminável de consultas e
exames, em boa parte pagos com dinheiro público,
acaba entrando nas estatísticas de certas
doenças, mas não tem seu problema resolvido.
Três quartos das pessoas com distúrbio mental
não estão onde deveriam estar: no psiquiatra ou
no psicólogo. Estão nas mãos do cardiologista,
do neurologista ou de outro especialista
qualquer. É uma multidão que não trata a sua
doença de forma adequada, pois um mau
diagnóstico pode levar essas pessoas a conviver
com enormes desconfortos, que acabam se
estendendo à toda a sua família.
" Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo
para sair, tenho aquela desagradável sensação
no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter
outra crise de pânico. "
"De repente, eu senti uma terrível
onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração
disparou, tive dor no peito e dificuldade para
respirar. Pensei que fosse morrer."
Volta
Como se descreve acima, os
sintomas físicos de uma crise de pânico
aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente
(apesar de existir, mas fica difícil de se
perceber). Os sintomas são como uma preparação
do corpo para alguma "coisa terrível".
A reação natural é acionar os mecanismos de
fuga. Diante do perigo, o organismo trata de
aumentar a irrigação de sangue no cérebro e
nos membros usados para fugir - em detrimento de
outras partes do corpo, incluindo os orgãos
sexuais. Eles podem incluir :
- Contração / tensão
muscular, rijeza
- Palpitações (o coração
dispara)
- Tontura, atordoamento,
náusea
- Dificuldade de respirar
(boca seca)
- Calafrios ou ondas de
calor, sudorese
- Sensação de "estar
sonhando" ou distorções de
percepção da realidade
- Terror - sensação de que
algo inimaginavelmente horrível está
prestes a
acontecer e de que se está impotente
para evitar tal acontecimento
- Confusão, pensamento
rápido
- Medo de perder o controle,
fazer algo embaraçoso
- Medo de morrer
- Vertigens ou sensação de
debilidade
Uma crise de pânico dura
caracteristicamente vários minutos e é uma das
situações mais angustiantes que podem ocorrer a
alguém. A maioria das pessoas que tem uma crise
terá outras (se não tratar). Quando alguém tem
crises repetidas ou sente muito ansioso, com medo
de ter outra crise, diz-se que tem transtorno do
pânico
Volta
Transtorno do pânico é um
problema sério de saúde. Este distúrbio é
nitidamente diferente de outros tipos de
ansiedade, caracterizando-se por crises súbitas,
sem fatores desencadeantes aparentes e,
frequentemente, incapacitantes. Depois de ter uma
crise de pânico - por exemplo, enquanto dirige,
fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de
um elevador - a pessoa pode desenvolver medos
irracionais (chamados fobias) destas situações
e começar a evitá-las. Gradativamente o nível
de ansiedade e o medo de uma nova crise podem
atingir proporções tais, que a pessoa com o
transtorno do pânico pode se tornar incapaz de
dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa. Neste
estágio, diz-se que a pessoa tem transtorno do
pânico com agorafobia. Desta forma, o distúrbio
do pânico pode ter um impacto tão grande na
vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças
mais graves - a menos que ela receba tratamento
eficaz e seja compreendida pelos demais.
Volta
De acordo com uma das teorias,
o sistema de "alerta" normal do
organismo - o conjunto de mecanismos físicos e
mentais que permite que uma pessoa reaja a uma
ameaça - tende a ser desencadeado
desnecessariamente na crise de pânico, sem haver
perigo iminente. Algumas pessoas são mais
suscetíveis ao problema do que outras.
Constatou-se que o T.P. ocorre com maior
frequência em algumas famílias, e isto pode
significar que há uma participação importante
de um fator hereditário (genético) na
determinação de quem desenvolverá o
transtorno. Entretanto, muitas pessoas que
desenvolvem este transtorno não tem nenhum
antecedente familiar.
O cérebro produz substâncias
chamadas neurotransmissores que são
responsáveis pela comunicação que ocorre entre
os neurônios (células do sistema nervoso).
Estas comunicações formam mensagens que irão
determinar a execução de todas as atividades
físicas e mentais de nosso organismo (ex: andar,
pensar, memorizar, etc). Um desequilíbrio na
produção destes neurotransmissores pode levar
algumas partes do cérebro a transmitir
informações e comandos incorretos. Isto é
exatamente o que ocorre em uma crise de pânico:
existe uma informação incorreta alertando e
preparando o organismo para uma ameaça ou perigo
que na realidade não existe. É como se
tivéssemos um despertador que passa a tocar o
alarme em horas totalmente inapropriadas. No caso
do Transtorno do Pânico os neurotransmissores
que encontram-se em desequilíbrio são: a
serotonina e a noradrenalina.
Volta
O T.P. já é considerado um
problema sério de saúde. Atualmente 2 a 4% da
população mundial sofre deste mal, que acomete
mais mulheres do que homens em uma proporção de
3 para 1. Há muito que o T.P. deixou de ser um
diagnóstico de exclusão. Hoje, mais do que
nunca, há necessidade de um diagnóstico de
certeza para tal entidade clínica. As pessoas
que sofrem deste mal costumam fazer uma
verdadeira "via-crucis" a diversos
especialistas médicos ("doctor
shopping") e após uma quantidade exagerada
de exames complementares recebem, muitas vezes, o
patético diagnóstico do "nada", o que
aumenta sua insegurança e seu desespero. Por
vezes esta situação dramática é reduzida a
termos evasivos como: estafa, nervosismo, stress,
fraqueza emocional ou problema de cabeça. Isto
pode criar uma incorreta impressão de que não
há um problema de fato e de que não existe
tratamento para tal patologia.
O T.P. é real e potencialmente
incapacitante, mas pode ser controlado com
tratamentos específicos. Por causa dos seus
sintomas desagradáveis, ele pode ser confundido
com uma doença cardíaca ou outra doença grave.
Frequentemente as pessoas procuram um
pronto-socorro quando têm a crise de pânico e
podem passar desnecessariamente por extensos
exames médicos para excluir outras doenças.
Os médicos em geral tentam
confortar o paciente em crise de pânico,
fazendo-o entender que não está em perigo. Mas
estas tentativas podem às vezes piorar as
dificuldades do paciente: se o médico usar
expressões como "não é nada grave",
"é um problema de cabeça" ou
"não há nada para se preocupar", isto
pode produzir uma impressão incorreta de que
não há problema real e de que não existe
tratamento ou de que este não é necessário,
conforme já comentado.
Volta
As pessoas que tem o T.P., em
sua maioria, são pessoas jovens (faixa etária
de 21 a 40 anos), que encontram-se na plenitude
de suas vidas profissionais. O perfil da
personalidade das pessoas que sofrem do T.P.,
costuma apresentar aspectos em comum: geralmente
são pessoas extremamente produtivas à nível
profissional, costumam assumir uma carga
excessiva de responsabilidades e afazeres, são
bastantes exigentes consigo mesmos, não convivem
bem com erros ou imprevistos, têm tendência a
se preocuparem excessivamente com problemas
cotidianos, alto nível de criatividade,
perfecionismo, excessiva necessidade de estar no
controle e de aprovação, auto-expectativas
extremamente altas, pensamento rígido,
competente e confiável, repressão de alguns ou
todos os sentimentos negativos (os mais comuns
são, o orgulho e a irritação), tendência a
ignorar as necessidades físicas do corpo, entre
outras. Essa forma de ser acaba por predispor
estas pessoas a situações de stress acentuado,
fato este que pode levar ao aumento intenso da
atividade de determinadas regiões do cérebro
desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico
e consequentemente o aparecimento do T.P..
Vale ressaltar ainda que alguns
medicamentos como anfetaminas (usados em dietas
de emagrecimento) ou drogas (cocaína, maconha,
crack, ecstasy, etc), podem aumentar a atividade
e o medo promovendo alterações químicas que
podem levar ao T.P..
Volta
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}
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size="2">Existe uma variedade de
tratamentos para o T.P.. O mais importante neste
aspecto é que se introduza um tratamento que
vise restabelecer o equilíbrio bioquímico
cerebral numa primeira etapa. Isto pode ser feito
através de medicamentos seguros e que não
produzam risco de dependência física dos
pacientes. Numa segunda etapa prepara-se o
paciente para que ele possa enfrentar seus
limites e as adversidades vitais de uma maneira
menos estressante. Em última análise, trata-se
de estabelecer junto com o paciente uma nova
forma de viver onde se priorize a busca de uma
harmonia e equilíbrio pessoal. Uma abordagem
psicoterápica específica deverá ser realizada
com esse objetivo.
O sucesso do tratamento está
diretamente ligado ao engajamento do paciente com
o mesmo. É importante que a pessoa que sofre de
T.P. entenda todas as peculiaridades que envolvem
este mal e que queira fazer uma boa
"aliança terapêutica" com seu médico
no sentido de juntos superarem todas as
adversidades que poderão surgir na busca do seu
equilíbrio pessoal.
Volta
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